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2 de agosto de 2014

O Que é Mentira?


A atitude de mentir pode ser definida como a intenção de ludibriar alguém em proveito próprio, geralmente, omitindo ou dissimulando deliberadamente do que é reconhecido como verdade, cada um procura estabelecer para si suas mentiras e suas verdades de acordo com suas prioridades ou conveniências.

A palavra mentira é sinônimo de engano, fraude, falsidade, ilusão, trapaça, ludibriar, dissimular entre outras. Ser apontado como mentiroso não é uma sensação desejável por ninguém que tenha consciência da importância de zelar pela reputação moral e social.

Não é um erro inconsciente, mas sim uma forma intencional de conduzir uma relação com o outro.

Condição aprendida desde a tenra infância é utilizada como um meio de manipulação da realidade formando uma realidade confortável ao que mente, aceitável socialmente, mas o uso exacerbado pode provocar verdadeiros desastres em quaisquer tipos de relações, mas é algo inadmissível quando envolve prejuízos ao outro.

Mentir pode ser considerado um ato “normal”, mas as consequências podem ser gravíssimas quando uma mentira é contada como verdade ou fato que precisa ser aceito como verídico. Suas consequências podem ser observadas nos tribunais aonde as mentiras que são aceitas como verdades e que libertam ou aprisionam, de um lado a mentira causa a duvida que conduz a liberdade um criminoso, de outro causa a duvida que pode condenar um inocente, a duvida que a mentira causa no tribunal sempre acarreta resultados negativos.

Na vida cotidiana não é diferente, a mentira que se diz por "brincadeira" ou para "evitar sofrimento" ou ainda "por uma boa causa", é sempre uma mentira que trará consequências indesejáveis. Todas as relações humanas devem ser fundadas na virtude do bem e na lealdade, ou seja, com ética, pois o ato de mentir para criar situações confortáveis pode gerar situações sistematicamente equivocadas levando a prejuízos diversos e graves.

Por exemplo, em um relacionamento amoroso a lealdade deve vir antes da fidelidade e na confiança recíproca, que sem essas virtudes, o relacionamento fica impraticável e a hipocrisia se mostrará presente, fundando uma relação balizada na mentira envolvendo todo tipo de sentimentos menos amor. Cônjuges precisam ser honestos um com o outro para que não construam juntos um relacionamento frágil, pois se não há confiança entre eles, não pode haver cumplicidade e harmonia.

A tendência de mentir se deve ao desejo de nos livrar do julgamento alheio, tendência naturalmente egoística para garantir que temos controle sobre a realidade.
Para uma base solida em qualquer tipo de relacionamento, seja ele pessoal ou profissional deve ser baseada na confiança, por exemplo, um médico precisa informar corretamente ao paciente sobre seu quadro de saúde.

Mas e a verdade, o que é?

Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tomaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas. (NIETZSCHE, 2005. p. 57).

Nietzsche é um dos filósofos que de algum modo defende a mentira e a entende como verdade, pois tudo não passaria de convenções e conveniências, pois se não agrada a alguém logo esse alguém troca de "verdade". Nessa concepção tudo é uma ilusão e nada contem verdade. Porém, Nietzsche também entende que o mentiroso se prejudica por perder a credibilidade social, podendo até ser excluído da sociedade por causa das mentiras.

Segundo o filosofo o mentiroso "(...) faz mau uso das firmes convenções por meio de trocas arbitrárias ou mesmo inversões dos nomes. Se ele o faz de maneira egoísta e de resto prejudicial, a sociedade não confiará mais nele e com isso o excluirá de si" (NIETZSCHE, 2005. p. 54).

Mas ainda no discurso filosófico temos o discurso de Immanuel Kant, que por sua vez entende que a mentira sempre prejudica alguém, quando não toda a humanidade porque sempre é contraria ao direito estabelecido como norma de boa conduta no Estado e para a sociedade. Ao definir mentira, Kant deixa claro que a mentira é prejudicial:

 "Define-se, portanto, a mentira como uma declaração não verdadeira feita a outro homem, e não há necessidade de acrescentar que deva prejudicar outra pessoa, como exigem os juristas na definição que dela apresentam (mendacium est falsiloquium in praejudic ium alterius), ou seja, ''a mentira é uma falsa declaração prejudicial às leis de outro''. Pois ela prejudica sempre uma outra pessoa, mesmo quando não um outro homem determinado e si a humanidade em geral, ao inutilizar a fonte do direito." (KANT, 1985. p. 120).

Mesmo que seja justificada, a mentira, como uma atitude necessária para evitar um possível mal ou para causar felicidade ou aparentar uma intenção bondosa, ela dever ser evitada, e o mentiroso, para Immanuel Kant, deve responder por seus atos com penas porque a verdade é um dever e uma obrigação que não tolera intenções.

Ainda vale a máxima que mentir não é o melhor, a verdade sempre deve prevalecer.

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