17 de janeiro de 2012

Distúrbios do Sono


Os sonhos são a literatura do sono.  
Jean Cocteau

Ir para a cama com uma pessoa pacata e acordar de madrugada com alguém em pleno ataque de fúria... quem convive com portadores de distúrbios do sono precisa enfrentar situações como essa.
Situações de agressão sofrida pela esposa, em que ela é despertada, aos murros, pelo companheiro, ele com feições transtornadas e com comportamento completamente oposto ao que está acostumada em plena madrugada, após um dia atipicamente estafante, pode ser uma doença chamada de Distúrbio Comportamental do Sono REM, a pessoa coloca em prática o que está sonhando.

Esse mal leva esse nome porque acontece na fase REM (Movimento Rápido dos Olhos, em inglês, 'Rapid Moviment Eyes')  do sono, a pessoa que sofre disso perde a imobilidade, comum na maioria das pessoas durante um sonho ou pesadelo, por pior que seja é de ficarem imóveis ou quietas, nesse distúrbio a pessoa perde a paralisia do corpo e se movimenta agindo conforme o que sonha e age como na realidade.

Esse distúrbio é descoberto a pouco tempo até, 1965, foi descrito nessa época em gatos e em 1985, em seres humanos, acredita-se que lesões cerebrais, acidente vascular (derrame), mal de Parkison ou uso de drogas psicoativas podem desencadear esse distúrbio mas ainda não há comprovações efetivas.

Existem vários distúrbios do sono além do REM, há o sonambulismo, terror noturno (despertar gritando ou chorando), bruxismo (ranger de dentes durante o sono), narcolepsia (sonolência excessiva ou despertar com muita dificuldade.

Tanto as pessoas que sofrem de sonambulismo como o distúrbio do Sono REM podem executar, algumas, podem executar tarefas difíceis e complexas algumas vezes mesmo inconscientes, só que a pessoa age como autômato - lembra os movimentos mecânicos de um robô por exemplo, repetindo obcecadamente, em casos graves, pode bater a cabeça na parede ou esfaquear alguma coisa. Existem alguns casos relatados de tentativas ou assassinatos de fato praticados por pessoas que sofrem com esses transtornos e o histórico prevalece sempre situações de extremo estresse, angústia ou problemas neuro-psicofisiológicos graves em decorrência de acidentes ou derrames.

Existe um exame que registra as atividades cerebrais e cardíacas, além dos movimentos dos olhos e queixo, chamado de Polissonografia, feito em laboratório especializado, como esse da USP.

Quem sofre de um desses distúrbios fica no meio caminho entre o acordado e o dormindo, em um estado de consciência alterado.

Algumas curiosidades:
Estágios do Sono


Duração do Sono


19 de fevereiro de 2011

Amor e Mentira



A mentira se faz presente desde a tenra infância como um meio de adulteração da realidade nos colocando em situação confortável, aceitável até certo ponto onde permeia com o mau-caratismo, quando há o excesso de uso desse subterfúgio, presente principalmente nos relacionamentos amorosos.

Um relacionamento amoroso deve ser fundado na lealdade antes mesmo da fidelidade, e na confiança recíproca, que sem, fica impraticável aí a hipocrisia se faz presente, algo que pode ser todo tipo de sentimento menos amor realmente.

Creio que a lealdade é mais importante que a fidelidade, pois sem lealdade não há confiança legitimada, um companheiro fiel uma vez flagrado em uma mentira em qualquer aspecto da vida perde a confiança de sua parceira ou parceira, a relação se torna doentia porque se tem certeza que o parceiro é mentiroso e quando não há consciência dessa atitude do parceiro a sensação é algo como se sentir manipulado, que pode levar a depressão, pois o inconsciente não tem certeza sobre suas desconfianças e não tem comprovação desses atos do parceiro.
 
Mentir mesmo que inconscientemente não nos livra da responsabilidade que temos por nós como um todo, a tendência de mentir se deve ao desejo de nos livrar do julgamento alheio, tendência naturalmente egoística para garantir que temos controle sobre a realidade.

4 de fevereiro de 2011

Viva e Deixe Amar



Surge a paixão e com ela os receios, preocupações desnecessárias com o futuro, não há garantia nenhuma que não se vá sofrer uma decepção, caso ocorra, deve levantar a cabeça e seguir em frente, entender as questões que levaram ao rompimento, curar as feridas, aceitar os novos amores, assim fortalecido seguir o curso da vida, desistir de amar para evitar as dores é uma atitude de pessoa fraca e orgulhosa, torna-se uma pessoa amargurada e desvitalizada. As desilusões acontecem, mas não são motivo para desistir de amar e são experiências que podem auxiliar a melhorar o modo de amar a si e ao outro.

Evidente que deve se ter cuidado com a qualidade das experiências que temos com a vida e respeitar nossos sentimentos, queremos e devemos ser bem tratados e bem amados, faz bem seguir aquela expressão “não fui achada no lixo”. Não há garantias que a má experiência não vá se repetir, pois somos seres humanos inesperados e complexos, há surpresas no humor, personalidades distintas, caracteres desconhecidos, no caso da relação conjugal são dois seres que se unem em uma relação e ao mesmo tempo cada um desses dois vivem seus desejos e suas singularidades, são vidas distintas que se unem e ao mesmo tempo continuam a viver separadamente, viver uma paixão é permitir-se poder vir a sentir o gosto do sofrimento. De acordo com Dr. Sigmund Freud, o sofrimento de amor é dos mais dilacerantes e o filósofo alemão Friedrich Nietzsche dizia – “o que não mata fortalece”.

A educação sentimental é enriquecida com as experiências negativas como as dores e decepções amorosas advindas de uma paixão ou de um relacionamento findado – quaisquer tipos de relacionamentos, tornam-se pessoas fortes aqueles que encaram as dores, dão a volta por cima e seguem em frente sem deixar de aprender com a experiência, mas também existem aqueles que não admitem uma nova experiência, de tão orgulhosos e com essa falsa aparência de fortaleza, sentem-se capaz de dispensar a necessidade de convivência íntima, é na realidade uma personalidade frágil e de orgulho vazio. Essa indiferença afetiva em conjunto a um sentimento de triunfo sobre o amor, na verdade esconde enorme vulnerabilidade diante do amor, se sente grande demais para ficar exposto novamente aos desencantos amorosos.

Temos a sensação que o mundo atualmente não oferece mesmo oportunidade para o cultivo do amor, para amar deve se ter confiança e consistência, mas na atualidade há a desculpa para os que se defendem do amor cria-se uma mentalidade de pessoas que buscam relacionamentos superficiais, rápidos - como defesa -, subtraído de integridade e do vínculo afetivo com estabilidade e lealdade. Mas felizmente pelo dinamismo da humanidade existem muitas pessoas avessas à massificação, singulares, que querem correr os riscos do amor. 

Ser arrogante não é o melhor remédio para as decepções amorosas, mas sim a paciência, a compreensão das causas dos desentendimentos e desencontros, investir no resgate da esperança, tudo demanda um tempo para curar as feridas das desilusões melhor que trocar pela superficialidade e a ajuda de um profissional Psicanalista pode ser de grande valia, revolver as raízes das más escolhas, verificar as causas das dificuldades de relacionamento entre outras atitudes que se devem se analisadas.

Toda forma de amor vale a pena, não somente o conjugal, mas vale a pena o amor em toda sua plenitude, o amor familiar e de amigos entre outros e o amor à própria vida, pois desistir do amor é desistir um pouco dela.

24 de agosto de 2010

Bullying na Escola: Infância Violenta


 Todas as paixões passam e se apagam, excepto as mais antigas, aquelas da infância.                                                                                                                                    Cesare Pavese
Quando a criança ou adolescente apresenta queda de rendimento escolar, isolamento, recusa ou pedidos de mudança de escola podem ser sinais de que está sendo vítima de bullying. Mas o bullying pode ocorrer também entre adultos e entre adultos e crianças.

O bullying - não há tradução para o português mas bully significa 'valentão' - é um comportamento agressivo e repetitivo, com violência física ou psicológica (podendo ser uma ou outra isoladamente), praticado por um ou mais indivíduos contra um colega, são initmidações insultos, chacotas, apelidações cruéis e exclusões que marcam profundamente as vítimas resultando em problemas comportamentais e de ajuste sociais até a fase adulta e ainda além da fobia social há pessoas que apresentam comportamento suicida, outras depressão e pesadelos por boa parte da vida.

As vítimas geralmente não conseguem pedir ajuda aos professores ou aos pais por inúmeros motivos desde vergonha de poder ser ainda mais estigmatizados ou por falta de coragem, tamanho o medo internalizado pelas agressões.

O fênomeno do bullying sempre existiu mas a algum tempo atrás as brigas ou richas eram mais "amenas",a perseguição ou a imposição de poder eram menos importantes que hoje.

 Para prevenir essas práticas nas escolas, estas deveriam adotar trabalhos que envolvam ações de desenvolvimento humano e integração social, identificar possíveis líderes agressores e elaborar esse potencial a seu favor.

O diálogo e o observar é muito importante na criação e educação dos filhos, se seu filho ou sua filha apresentar qualquer sintoma que leve a suspeita de bullying deve-se procurar a direção da escola e ajuda de profissionais.